O Projeto

O Projeto Saberes do Vale: Cultura e Educação no Vale do Paraíba nasceu do desejo de reunir, documentar, preservar e divulgar saberes e fazeres da região do Vale do Paraíba.

Esses saberes e fazeres, que permeiam o cotidiano de seus detentores, foram selecionados tendo como ponto de partida quatro importantes dimensões da vida: Brincar, Comer, Criar e Morar. Com essas portas de entrada, a pesquisa foi desenvolvida em diferentes municípios da região, possibilitando a criação de quatro documentários, um para cada dimensão escolhida, e a compilação de histórias, fotografias e vídeos sobre essas expressões culturais, com depoimentos de seus mestres e artesãos.

Registrar essas manifestações da cultura popular e disseminá-las por diferentes meios são formas de conectar e contextualizar temas importantes que fazem parte do repertório cultural do Vale do Paraíba, valorizando as tradições que se mantêm vivas e que, ao se realizarem, sempre de um modo um pouco igual e um pouco diferente, reinventam o passado, atualizam o presente e projetam o futuro.

Assim, o resultado dessa aventura chamada Saberes do Vale busca proporcionar um mergulho no universo da cultura popular, a partir da experiência, da história e da memória dos moradores da região: personagens a quem somos eternamente gratos por toparem compartilhar conosco um pouquinho de seu conhecimento e sua sabedoria. Convidamos vocês a conhecer esse rico universo conosco. Boa visita!

Uma cultura que
se reinventa

São inúmeras e importantes as linhas de estudo sobre a cultura popular.

Já há bastante tempo, diferentes áreas do conhecimento apontam para a relevância de se reconhecer e valorizar conhecimentos não letrados, baseados em experiências concretas passadas, em geral, oralmente, de geração em geração. Mesmo assim, o senso comum, muitas vezes, desvaloriza esse conhecimento acumulado: a depender do foco, expressões culturais populares ainda são equivocadamente tratadas na chave do atraso ou inferioridade.

O Projeto Saberes do Vale entende que a cultura popular não é inferior ou oposta à cultura letrada ou ao chamado saber científico. A cultura é aqui entendida como um processo dinâmico, por isso sempre em transformação, que representa e expressa modos de ser, viver, pensar e falar de grupos e sociedades: as diferentes formas como os grupos criam suas normas de organização, nomeiam as coisas, se relacionam e atribuem sentido a sua experiência.

Os saberes e fazeres aqui apresentados são compreendidos como bens culturais de natureza imaterial. Constituem-se como um patrimônio cultural imaterial, definido pela UNESCO como “práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos os indivíduos, reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”.

Ao entender os saberes e fazeres como expressões da cultura popular da região do Vale do Paraíba, é importante ter em vista que as transformações desses saberes e fazeres ao longo do tempo são esperadas: englobam permanências e mudanças, atualizações e recriações, sempre em diálogo com o seu tempo.

Valorizar o “passado” e a “tradição”, assim, não significa ignorar a plasticidade e a diversidade dessas manifestações. O projeto, ao documentar e preservar esses conhecimentos e práticas, busca valorizar a porosidade e a capacidade de adaptação e reinvenção dessas expressões culturais, que, ao mesmo tempo, reverenciam saberes e modos de fazer e viver característicos da região do Vale do Paraíba.

Reunir, documentar, preservar e divulgar saberes e fazeres da região do Vale do Paraíba

Making of





Centenas de fotos, mais de 30 horas de gravação, 3000 km percorridos, cerca de 30 mestres e artesãos contatados.

Cafés, bolos, sorrisos, prosa, afeto e muita história para contar. Esses são alguns elementos que revelam o trabalho desenvolvido para compor o Projeto Saberes do Vale.

Uma intensa pesquisa percorreu diferentes cidades: Bananal, Silveiras, Guaratinguetá, São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Monteiro Lobato e São Luiz do Paraitinga. A montagem dos itinerários de viagem partiu tanto da imersão em referências teóricas, que ajudaram a contextualizar historicamente o Vale, quanto da pesquisa de campo para levantamento de contatos dos mestres e artesãos feitores, obtidos com a indicação de moradores e conhecedores da cultura local.

Como em toda pesquisa, o trabalho de campo sempre muda rotas e revela descobertas inesperadas: buscou-se estar sempre aberto para ampliar o olhar e reunir expressões culturais capazes de representar modos de viver, crenças e visões de mundo.

As dimensões Brincar, Comer, Criar e Morar funcionaram como portas de entrada para esse rico mergulho no patrimônio cultural dessa região.

Para documentar os saberes, uma pequena equipe formada por um historiador, um fotógrafo, um cinegrafista e um assistente, ao longo de quatro viagens, percorreu as cidades colhendo depoimentos dos mestres e valorizando a tradição oral. As filmagens foram frutos do contato e da troca com o outro: laços foram construídos com esses protagonistas, o que permitiu que ficassem mais confortáveis e à vontade nos relatos de suas memórias.

O café de dona Maria José, a paçoca do sr. Tião Costa, o olhar de Mudinha, as lágrimas de dona Maria e outros inúmeros pequenos grandes gestos destes e dos outros mestres ficarão na nossa memória. Só podemos agradecer a generosidade daqueles que toparam compartilhar sua sabedoria e seus conhecimentos conosco. Muito obrigado!

EDP

A EDP Brasil, empresa que atua nas áreas de geração, distribuição, comercialização, transmissão e soluções em energia elétrica, acredita que a preservação e a valorização das tradições regionais é de extrema importância para o desenvolvimento sustentável e devem ser incentivadas também com o intuito de contextualizar e conectar temas importantes do repertório cultural.

Por meio da EDP São Paulo, com apoio do Instituto EDP, organização que coordena as iniciativas do Grupo EDP, investe no projeto Saberes do Vale, que produziu uma exposição virtual e quatro documentários com objetivo de preservar e multiplicar o conhecimento de saberes e fazeres tradicionais da região do Vale do Paraíba, permitindo a promoção das manifestações culturais e populares.

Os documentários contam várias histórias, entre elas, como são as construções de pau-a-pique e sapé, a produção de farinha e a feitura de paçocas, a fabricação artesanal de brinquedos e o próprio brincar, além das tradicionais figuras de barro da região. A ideia é mostrar personagens, mestres artesãos e detentores de saberes, locais tradicionais da região, além de depoimentos de habitantes, valorizando as expressões e memória local.

Entre nessa viagem conosco e utilize sua boa energia para conhecer e disseminar a cultura do Vale do Paraíba.

Créditos

  • Concepção e Execução Fotocontexto - Foto Vídeo Convergência e Tomara! Educação e Cultura
  • Curadoria da exposição virtual Júlia Serra Y. Picchioni e Camila Iwasaki
  • Coordenação do projeto educativo Tomara! Educação e Cultura
  • Orientação pedagógica e textos educativos André Vilela
  • Assistente de coordenação Raul Cavalcanti
  • Direção dos documentários Eduardo Barcellos e Rudá K. Andrade
  • Pesquisa Rudá K. Andrade e Guilherme Lopes
  • Apoio ao desenvolvimento da exposição virtual Tomara! Educação e Cultura - Pedro Sant'Anna
  • Apoio à articulação institucional Tomara! Educação e Cultura - Lara Nacht
  • Revisão de textos Lucimara Carvalho e Tomara! Educação e Cultura - Ana Castanho
  • Produção Zeca Ros
  • Design e tecnologia TUUT
  • Divulgação, comunicação e assessoria de imprensa QMidia Comunicação
  • Gestão administrativo-financeiro 2Palito Projetos
  • Apoio Instituto EDP, Holy Cow Criações e Tapirapé Digital

Agradecimentos

Adelaide de Araújo Leite, Agenor Martins, Agostinho da Paçoca, Allan Monteiro, Ana Luiza Mendes Borges, Andre Satin Calareso, Ângela Savastano, Angelo e Pedro Rubim, Avelino Israel, Benê dos Santos, Beto Veronezi,  Branca Nunes, Casa de Cultura Zé Mira, Casa das Figureiras (Bete e Izaura), Clara Azevedo, Christiane Pereira, Cláudia Pinheiro, Cláudia Rangel, Diva, Dona Lili (in memoriam), Ditão Virgilio, Edmilson, Eduardo Leisan, Engles e Minuca Prado, Felipe Seibel, Fátima Aparecida dos Santos, Francine Maia, Francisco José Ruiz Lacaz (Chico Abelha), Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Gabriela Ramos, Geraldo Tartaruga (in memoriam), Gil e Vera Vilhena, Ivanize Guisaro, Janice Chaves, Jeronimo Vilhena, Jetther Bineli, Joana Egypto, José Donizetti Costa (Biskui), João Camilo, João Gino, Lourenço, Maria Benedita Vieira (Mudinha, in memoriam), Maria Cândida Alves Santos, Maria Socorro – Help, Maria José Oliveira, Maria Teodora da Costa, Marina Mira, Miriam de Oliveira, Museu do Folclore de São José dos Campos, Nice da Taboa, Obra Social e Assistencial Padre Bonafé, Parê dos Santos, Patrick Assumpção, Paula Colen, Paulo Leite, Renata Porto, Renato Gomes, Ricardo Azevedo, Rodrigo Barbosa, Sergio Landim de Souza, Sylvio Rocha, Tais Di Canasci, Tarsila Portella, Teresa Isoldi, Tião Costa, Vania das Bonecas, Walter Louça, Yuri Almeida, Zé Liano.